Sou casa de Deus, da Trindade

«Senhor Abade, a que abismo de glória somos chamados ! Oh! compreendo os silêncios, os recolh...

A solidão própria da vida espiritual

«A solidão de que falas, em certo sentido é própria da vida espiritual. Quanto mais uma pess...

Tempo: Quaresma

 

 

   Maria tornou-Se nossa Mãe.

«Maria pagou à justiça divina
o tributo de amor, de adoração,
de obediência
que Lhe era devido;
pagou não só por si,
mas por todos os homens.
Ao pé da Cruz ofereceu
em sacrifício voluntário
o seu Filho e a si mesma.»

Beato Francisco Palau | 1811 - 1872
O Mês de Maria. pg. 78

   

   Ele era a luz

«A cruz desapareceu na noite,
Mas a nossa noite
Foi inesperadamente iluminada por uma nova luz,
Uma luz que não se pode comparar com nada:
Doce e feliz.
Provinha das chagas d’Aquele homem
Recém morto sobre a cruz;
De repente apareceu no meio de nós.
Ele era a própria luz, a luz eterna,
Esperada desde os tempos antigos,
Esplendor do Pai e salvação do seu povo.
Abriu os seus braços
E falou-nos com uma voz celestial:
“Vinde a mim todos os que servistes fielmente o Pai
E vivestes com a esperança no Salvador;
Olhai, Ele está convosco,
Conduz-vos ao Reino de seu Pai”.»

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) | 1891 – 1942
Diálogo Noturno

   

   A instituição da Eucaristia

«Cristo, na última Ceia,
instituiu o Sacramento da Eucaristia.
Comungou Pedro,
comungaram os Apóstolos e discípulos,
comungou a Virgem Maria
e, pela comunhão,
se incorporaram sacramental e moralmente
à sua Cabeça,
Jesus Cristo
e, assim, aumentou o Corpo [Místico de Cristo].

Beato Francisco Palau | 1811 – 1872
As minhas Vivências com a Igreja, 5

   

   Trinta moedas de prata

«Pois, que Pai haveria, Senhor,
que tendo-nos dado Seu Filho, e tal Filho,
e pondo-O em tal estado,
quisesse consentir que ficasse entre nós
a padecer de novo cada dia? –
Por certo, nenhum, Senhor, a não ser o Vosso;
bem sabeis a Quem pedis.
Oh! valha-me Deus! Que grande amor o do Filho,
e que grande amor o do Pai!
Ainda não me espanto tanto do bom Jesus,
porque como já tinha dito «fiat voluntas tua»,
tinha-o de cumprir como Quem é.
Sim, que não é como nós, pois,
como a conhece,
cumpre-a amando-nos como a Si,
e assim andava a buscar como cumprir este mandamento
com maior perfeição,
embora fosse à Sua custa.
Mas Vós, Pai Eterno, como o consentistes?
Como quereis ver cada dia em tão ruins mãos o Vosso Filho?»

   

   Ser corredentor conTigo, Senhor!

«Ó meu Deus!
Trindade Bem-aventurada!
Desejo amar-Vos
e fazer-Vos amar,
trabalhar pela glorificação da Santa Igreja,
salvando as almas que estão na terra,
e libertando as que estão no Purgatório.
Desejo cumprir plenamente a Vossa vontade,
e chegar ao grau de glória
que me preparastes no Vosso Reino;
numa palavra, desejo ser santa.
Mas conheço a minha impotência,
e peço-Vos, ó meu Deus,
que sejais Vós mesmo a minha Santidade.
Já que Vós me amastes
até me dardes o Vosso Filho único
para ser o meu Salvador e o meu Esposo,
os tesouros infinitos dos Seus méritos são meus:
ofereço-Vo-los com alegria,
suplicando-Vos que não olheis para mim
senão através da Face de Jesus
e no Seu Coração ardente de Amor.»

Santa Teresa do Menino Jesus | 1873 - 1897
Oração nº 6

   

   Como pode ser doce o sacrifício?

«Que importam os sacrifícios
do tempo presente?
Queridos e doces sacrifícios,
que nos introduzem no caminho
da eterna felicidade.»

Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado | 1894 - 1948
Diário II. pg 142

   

   Dia de Ramos

«Como acabo de dizer,
o dia 10 de Janeiro
foi o triunfo do meu Rei.
Comparo-o à entrada de Jesus em Jerusalém
no dia de Ramos.
Como a do nosso divino Mestre,
a sua glória de um dia
foi seguida duma paixão dolorosa,
e essa paixão não foi só para ele.
Assim como as dores de Jesus
trespassaram com uma espada
o coração da sua divina Mãe,
assim os nossos corações
sentiram os sofrimentos daquele
a quem mais ternamente amávamos sobre a terra...
Lembro-me de que no mês de Junho de 1888,
na altura das nossas primeiras provações, eu dizia:
“Sofro muito,
mas sei que posso suportar ainda maiores sofrimentos”.
Não imaginava então os que me estavam reservados...
Não sabia que a 12 de Fevereiro,
um mês depois da minha Tomada de Hábito,
o nosso querido pai iria beber pela mais amarga,
pela mais humilhante de todas as taças...
Ah! nesse dia não disse que podia sofrer ainda mais!!!...
As palavras não podem exprimir as nossas angústias,
por isso não vou tentar descrevê-las.
Um dia, no Céu, gostaremos de falar das nossas gloriosas provações.
Não nos sentimos já felizes por as termos suportado?...
Sim, os três anos do martírio do Papá
parecem-me os mais amáveis,
os mais frutuosos de toda a nossa vida.
Não os trocaria por todos os êxtases
e revelações dos Santos.»

Santa Teresa do Menino Jesus | 1873 - 1897
Manuscrito A. 73rº

   

   A virtude escondida na Cruz

«A virtude está escondida na Cruz
e não nas grandezas da terra.»

Beato Francisco Palau | 1811 - 1872
Carta 140

   

   Oração

«A intervenção de Deus
na vida espiritual
dar-se-á normalmente, em primeiro lugar,
nas relações diretas da alma com Deus
e, por consequência, na oração.
[Essa intervenção]
transformará a oração
em contemplação.»

Beato Pe. Eugénio-Maria do Menino Jesus | 1894 - 1967
Quero ver a Deus. 404

   

   A Cruz é o meu descanso

«A Ele [Jesus] me entrego,
e a toda a Sua vontade estou rendida,
por Ele quero ser atribulada,
e para Ele quero ser purificada,
e a minha glória é a Cruz do meu Senhor,
e agora possuo parte do meu descanso.»

Madre Maria de S. José | 1548 - 1603
Carta de uma pobre e presa Descalça. Lisboa 1593

   

   O sacrifício da Cruz: amor em excesso

«É o sacrifício de Nosso Senhor
que, pelo Seu sofrimento
vai dar a Deus a homenagem de adoração
que Ele espera da humanidade,
a homenagem de reparação do pecado.»

Beato Pe. Eugénio-Maria do Menino Jesus | 1894 - 1967
Homilias e Conferências. 20.02.1966

   

   Obra da Redenção

«Tudo quanto existe
é uma manifestação de Deus,
da Sua obra criadora,
providente e redentora.»

Serva de Deus Irmã Lúcia de Jesus | 1907 - 2005
Apelos da Mensagem de Fátima, cap. 3

   

   S. José é poderoso intercessor

«Alcançai-me, glorioso S. José,
as virtudes de que tenho maior necessidade.
Ensinai-me a falar com Jesus na oração,
a viver n’Ele, e por Ele,
e que todas as minhas ações
sejam um ato de amor.
Fazei-me humilde e casto
como Jesus e Maria,
e no transe da morte
amparai a minha alma,
para ir gozar da sua amável presença convosco,
por toda a eternidade.»

Santo Henrique de Ossó | 1840 – 1896
Citado em ALTÉS Y ALABART, J.B., Pbro., loc. cit.

   

   Somos batizados na Tua morte.

«Pelo batismo, diz São Paulo,
fomos enxertados em Jesus Cristo.
E ainda: “Deus fez-nos sentar lá nos Céus,
em Jesus Cristo,
para mostrar aos séculos vindouros
as riquezas da Sua graça.” […]
E, mais adiante:
“Já não sois hóspedes nem estrangeiros,
mas sois da Cidade dos santos e da Casa de Deus.”
O Mestre disse-o um dia:
“O escravo não permanece sempre na casa,
mas o Filho é que aí mora
para todo o sempre.”»

Santa Isabel da Trindade | 1880 - 1906
O Céu na terra. 2.

   

   Maria torna-me mais de Jesus

«O Padre Julião
disse-me que meditasse nas virtudes da Virgem,
aos Sábados.
E assim o fiz.
E Deus Nosso Senhor me indicou
que meditasse sobre a pureza.
Senti uma voz diferente da de Nosso Senhor
e perguntei-Lhe de quem era.
Disse-me que era da Virgem.
Ela disse-me que me abria o Seu Coração maternal
para que visse em que pureza tinha vivido
toda a Sua vida.
Pediu-me depois que A imitasse
e, já que eu tinha feito o voto de castidade,
que o renovasse,
mas com maior perfeição.»

Santa Teresa dos Andes | 1900 - 1920
Carta 68. Ao P. José Blanch, C.M.F. 3 de março de 1919

   

   Senhor, Tu és a fonte de todo o bem.

«Lembrem-se sempre:
se Jesus me largasse,
eu seria pior que Judas;
mas se Jesus me proteger,
serei como João,
o discípulo amado.»

Santa Maria de Jesus Crucificado | 1846 - 1878
Pensées de Marie de Jesus Crucifié, de Fr. Denis Buzy, scj

   

   Levar a Cruz!

«Santos e heróis sem cruz
não existem, nem existirão.
Sem espírito de sacrifício
somos e seremos uns acomodados,
presa fácil de satanás e do pecado,
que só por um excesso de misericórdia
poderão evitar o inferno,
se tiverem tempo de voltar atrás
antes que a morte os surpreenda,
a morte que vem
quando menos se espera.»

Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado | 1894 – 1948
Retiro para a Profissão solene de uma Religiosa.

   

   Quem está mergulhado, na humildade está mergulhado em Ti

«Quando a alma
“considera, no fundo de si mesma,
com os olhos abrasados de amor,
a imensidade de Deus,
a Sua fidelidade,
as provas de amor,
os benefícios que nada podem acrescentar à sua felicidade;
quando, em seguida, observando-se a si mesma,
vê as ofensas contra o altíssimo Senhor,
volta-se para o seu próprio fundo,
com um tal desprezo de si mesma,
que já não sabe como fazer para suportar o seu horror”.
O melhor que tem “a fazer,
é queixar-se a Deus, seu Amigo,
das forças do desprezo, que a atraiçoam,
não a rebaixando tanto quanto o desejaria.
Resigna-se então à vontade de Deus
e, na abnegação íntima,
encontra a verdadeira paz,
invencível e perfeita,
aquela que nada há-de perturbar.
Porque se precipitou num tal abismo,
que ninguém lá a irá procurar .”
“Se alguém me afirmasse que ter encontrado o fundo
é estar submerso na humildade,
não o desmentiria.
Parece-me, contudo,
que estar mergulhado na humildade
é estar mergulhado em Deus,
porque Deus é o fundo do abismo.»

Santa Isabel da Trindade | 1880 - 1906
O Céu na terra. 36-37

   

   Eu creio, Senhor!

«Eu creio, Jesus,
que estás no Santíssimo Sacramento;
adoro-Te, amo-Te
e desejo muito receber-Te na comunhão.
Vem ao meu coração!
Nunca Te separes de mim!
Adoro-Te, amo-Te e agradeço-Te, meu Jesus,
em nome de todos os que não Te conhecem,
nem Te amam.
E, já que neste momento
não posso receber-Te sacramentalmente,
aceita os meus desejos
e dá-me o Teu santo e divino amor.
Amen.

Santo Henrique de Ossó | 1840 - 1896
Quarto de hora de oração. Sétima semana

   

   Vivo sem viver em mim

«Vivo sem viver em mim,
E tão alta vida espero,
Que morro porque não morro.

Ai, que vida tão amarga
Por não gozar o Senhor!
Pois sendo doce o amor,
Não o é, a espera larga;
Tira-me, ó Deus, este fardo
Tão pesado e tão amargo,
Que morro porque não morro.

Só com esta confiança
Vivo porque hei de morrer.
Porque morrendo, o viver
Me assegura a esperança;
Morte do viver s’alcança;
Vem depressa em meu socorro,
Que morro porque não morro.

Olha que o amor é forte;
Vida, não sejas molesta,
Olha que apenas te resta
Para ganhar-te o perder-te;
Vem depressa doce morte
Acolhe-me em teu socorro
Que morro porque não morro.»

Santa Teresa de Jesus | 1515 - 1582
Poesias. 1.

   

   Tu amaste-me primeiro

«Quando na união de Amor
a alma é introduzida na corrente da vida divina,
já não se pode ocultar que essa vida
é uma vida tripessoal,
e ela entrará em contacto experimental
com todas as três divinas Pessoas.»

Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein) | 1891 – 1942
Ciência da Cruz

   

   Humildade

«Aqueles que aceitam as afrontas
preparam diamantes para a coroa.
No inferno há todo o género de virtudes,
mas não há humildade;
no céu há todo o género de faltas,
mas não há orgulho.»

Santa Maria de Jesus Crucificado | 1846 - 1878
Pensées de Marie de Jesus Crucifié, de Fr. Denis Buzy, scj

   

   Renúncia de si.

«De quanta paz goza a alma na renúncia de si!
Se não falta a luta
ela, contudo, é prenúncio de uma grande paz
e da mais sólida virtude.»

Beata Maria Cândida da Eucaristia | 1884 - 1949
Novenas, Pensamentos e Poesias. 43

   

   Encontro-Te de rosto por terra…

«Disse-me uma vez o Senhor
que não era obedecer,
senão estava determinada a padecer;
que pusesse os olhos
no que Ele havia padecido,
e tudo se me faria fácil. »

Santa Teresa de Jesus | 1515 - 1582
Vida 26, 3

   

   Confiar em Ti, Senhor!

«Exponhamos a Deus
as nossas necessidades,
não querendo mais nada
do que aquilo que Ele quer.»

Santa Teresa Margarida de Redi | 1747 - 1770
Bilhetes à Irmã Teresa Crucificada e Jesus. 15

   

   Uno-me a Ti!

«Meu Deus,
eu Vos adoro nas minhas enfermidades;
é então agora, ó meu Senhor,
que sofrerei alguma coisa por Vós?
Ainda bem:
que eu sofra e morra conVosco.»

Frei Lourenço da Ressurreição | 1614 – 1691
A Prática da Presença de Deus. V, 2.

   

   Fazer a Tua vontade de Amor

«Vossa Reverência percebeu bem
os desejos infinitos do meu coração,
compreendeu bem o meu dulcíssimo sonho…
Bem sabe que nada quero guardar para mim,
mas amo dar tudo generosamente ao bom Deus…
tudo aquilo que me pode oferecer
este dia que foge…»

Beata Elias de S. Clemente | 1901 - 1927
Carta 110. Ao Padre Elias. 17.07.1925.

   

   A Cruz irradia o Amor.

«Compreendo tão bem
a tua grande provação;
e quantos sacrifícios isso te impõe.
Bem vejo que Deus te trata como Esposa
e se quer unir a ti pela cruz.
É algo de tão grandioso, o sofrimento,
e são tão poucas as almas
que consentem em seguir Nosso Senhor
até esse ponto…
Peço-o muito para ti
e, esperando que atenda as nossas preces
rogo-Lhe que faça brilhar na tua alma
“a irradiação do amor”!...»

Santa Isabel da Trindade | 1880 - 1906
Carta 216. Às suas tias Rolland. 31 de dezembro de 1904

   

   Derramas-Te como a torrente

«Lembra-te de que o Poder infinito
deseja ardentemente resplandecer na impotência,
a Sabedoria quer refulgir na insensatez,
o Amor cintila no meio da sinfonia do pranto.»

Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado | 1894 - 1948
Pensamentos sobre imagens. 21

   

   A Árvore da Cruz

«O Esposo [Cristo]
revela à alma
o modo extraordinário e o plano que seguiu
para a redimir e desposar conSigo,
utilizando aqueles mesmos termos
que estragaram e perderam a natureza humana.
Assim como pela árvore proibida do paraíso
se perdeu e estragou a natureza humana de Adão,
assim também foi reparada e redimida
na árvore da cruz,
onde lhe estendeu a mão da Sua graça e misericórdia,
por meio da sua paixão e morte,
terminando as hostilidades que,
a partir do pecado original,
existiam entre Deus e o homem.
E assim diz:
“Sob a macieira então.”
Isto é, sob a graça da árvore da cruz,
simbolizada aqui pela macieira,
onde o Filho de Deus redimiu
e, por conseguinte, desposou consigo
a natureza humana,
e consequentemente cada uma das almas,
concedendo-lhe para isso
graça e capacidade na cruz.
Por isso, diz:
“Ali foste comigo desposada, ali te dei a mão.”»

S. João da Cruz | 1542 - 1591
Cântico Espiritual. 23. 2-3

   

   Amor aos próximos

«Estando unida a alma com Deus,
por amor,
a caridade, auxiliada
por todas as virtudes,
graças
e dons do Espírito Santo,
opera na alma o amor pelo próximo.
Opera, digo, e ordena-a e,
ordenadas todas as forças
e virtudes da alma
para o bem dos outros,
esse amor ordenado
produz com suavidade
frutos maduros, doces e sãos.»

Beato Francisco Palau | 1811 - 1872
Carta 28

   

   Manter-me consciente da presença de Deus

«Enviar-vos-ei um destes livros
que tratam da presença de Deus:
é, a meu parecer,
aquilo em que consiste toda a vida espiritual
e parece-me que,
praticando-a como se deve,
nos tornamos espirituais
em pouco tempo.»

Frei Lourenço da Ressurreição | 1614 – 1691
Carta03. A uma religiosa. 1685.

   

   Viver os compromissos do Batismo

«Senhor,
ajuda-me para que toda a minha vida
seja uma resposta ao Teu chamamento no Batismo.
Que eu viva a vida da graça,
que é a Tua Vida,
com fidelidade.
E que o meu compromisso
de ser verdadeiramente cristão
no meu próprio ambiente,
se concretize dia a dia na oração,
na entrega e no serviço aos irmãos.
Que o lema da minha vida seja:
“Viva Jesus! Morra o pecado!”»

Santo Henrique de Ossó | 1840 - 1896
Um quarto de hora de oração. Primeira semana.

   

   Abraço a cruz, porque nela está Jesus!

«Hoje, desde que me levantei,
estou muito triste,
parece que de repente se me parte o coração.
Jesus disse-me que sofresse com alegria.
Isto custa tanto,
mas basta que Ele o peça
para que eu procure fazê-lo.
Gosto do sofrimento por duas razões;
a primeira, porque Jesus preferiu sempre a Cruz;
logo há-de ser algo muito grande
para que o Todo-poderoso procure em tudo o sofrimento.
Segundo, porque na safra da dor se lavram as almas
e porque Jesus envia este presente às almas que mais ama.»

Santa Teresa dos Andes | 1900 – 1920
Diário Íntimo (1915)

   

   Ser corredentor conTigo, Jesus!

«Um domingo,
contemplando uma estampa de Nosso Senhor na Cruz,
fiquei impressionada com o Sangue que caía
de uma das Suas mãos divinas.
Senti uma enorme pena,
ao pensar que esse Sangue caía na terra,
sem que ninguém se apressasse a recolhê-lo,
e resolvi manter-me em espírito ao pé da cruz
para receber o Divino orvalho
que dela escorria,
compreendendo que seria necessário
espalhá-lo sobre as almas...
O grito de Jesus na cruz: «Tenho sede!»
ressoava também continuamente no meu coração.
Estas palavras acendiam em mim
um ardor desconhecido e muito vivo...
Queria dar de beber ao meu Bem-Amado,
e sentia-me eu mesma devorada pela sede de almas...
Não eram ainda as almas dos sacerdotes
que me atraíam,
mas as dos grandes pecadores;
ardia no desejo de as arrancar às chamas eternas...»

Santa Teresa do Menino Jesus | 1873 - 1897
Manuscrito A. 45vº

   

   A glória de Cristo

«Quem não procura a cruz de Cristo
não procura a glória de Cristo.»

S. João da Cruz | 1542 - 1591
Pontos de Amor 2. 23

   

   A amabilidade na caridade

«A mais fina caridade
sem amabilidade,
é extremamente árida.»

Beata Maria Cândida da Eucaristia | 1884 – 1949
Exortações e Conferências. 5

   

   O Vigário de Cristo

«A verdadeira Igreja de Deus
é a Igreja católica, apostólica e romana,
fundada por Jesus Cristo,
continuada pelos Apóstolos
e pelos seus sucessores,
todos devemos permanecer unidos a ela
na mesma fé,
na mesma esperança
e na mesma caridade,
acatando as suas orientações
e percorrendo os caminhos por ela apontados,
porque ela é a depositária
da verdadeira Lei de Deus
e da doutrina ensinada por Jesus Cristo.
Devemos acreditar nela,
confiar nela,
respeitá-la,
amá-la,
escutar os seus ensinamentos,
seguir os seus passos
e permanecer unidos ao seu Chefe que é Cristo,
na pessoa do Sumo Pontífice de Roma,
único verdadeiro Vigário de Cristo na terra,
Cabeça do Corpo Místico de Cristo,
do qual nós somos membros pela fé em Cristo,
como nos diz o Apóstolo S. Paulo:
“Foi num só Espírito que todos nós fomos batizados,
a fim de formarmos um só corpo,
quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres;
e todos temos bebido de um só Espírito.
Porque o corpo não consta de um só membro,
mas de muitos”.

Serva de Deus Irmã Lúcia de Jesus | 1907 - 2005
Apelos da Mensagem de Fátima, cap. 3

   

   Confiança em Deus.

«Devia […] estar já adiantada
nos caminhos da perfeição,
mas estou ainda ao fundo da escada;
isto não me desencoraja
e sou tão alegre como a cigarra,
canto sempre como ela,
esperando no fim da minha vida
participar nas riquezas das minhas irmãs
que são muito mais generosas do que a formiga.
Espero também, minha querida Tia,
ter um belo lugar no banquete Celeste,
digo-lhe porquê:
quando os Santos e os Anjos
souberem que tenho a honra de ser a sua filhinha,
não hão-de querer dar-me o desgosto
de me colocar longe de si...
Assim gozarei dos bens eternos
por causa das suas virtudes.»

Santa Teresa do Menino Jesus | 1873 - 1897
Carta 202 À Sra. Guérin. 16 de Novembro de 1896

   

   Ser semelhante a Jesus

«Se o nosso Deus nos amou
e nos ama tanto,
sem qualquer mérito nosso,
que deverá fazer a pessoa amada
para Lhe retribuir de algum modo tanto amor?
Esforçar-se para se tornar semelhante a Jesus;
e tal como o amor
torna semelhantes os amantes,
também nós devemos tornar-nos humildes
como Jesus
e a Sua humildade nos ensinará
a alegrar-nos quando somos desprezados
e a calar
quando naturalmente nos poderíamos desculpar.»

Santa Teresa Margarida de Redi | 1747 - 1770
Bilhetes escritos à Irmã Teresa Crucificada de Jesus. 8

   

   Generosidade

«Ofereçamos a Deus
a nossa generosidade
e peçamos-Lhe para sustentar essa generosidade
que tem necessidade do socorro
do Deus poderoso,
para ser fiel a este apelo.»

Beato Pe. Maria-Eugénio do Menino Jesus | 1894 - 1967
Homilias e Conferências. 26.06.1966

   

   Debilidade e força.

«Sinto-me tão incapaz de sofrer,
sou débil,
tudo me faz estremecer,
mas assim que confio no Deus bendito
invade-me uma grande força.
Então parece que serei capaz
de enfrentar o martírio
e quase o desejo,
sentindo fortemente o amor por ele.»

Beata Maria Josefina de Jesus Crucificado | 1894 – 1948
Diário II. pg 108-109

   

   Outra lógica: a da entrega aos que de mim precisam

«Não lhe parece que,
para chegar ao aniquilamento,
ao desprezo de si mesmo
e ao amor do sofrimento
que estavam no fundo das almas dos santos
é necessário parar longamente
na contemplação de Cristo Crucificado por amor,
receber como uma efusão da Sua vontade
por meio de um contacto contínuo com Ele?»

Santa Isabel da Trindade | 1880 - 1906
Carta 183

   

   As Vossas grandezas e misericórdias

«Parece que trago esquecidas
Vossas grandezas e misericórdias,
e como viestes ao mundo para os pecadores
e nos comprastes por tão grande preço,
e pagastes nossos falsos contentos
com sofrer tão cruéis tormentos e açoites.
Remediastes minha cegueira
deixando que tapassem Vossos divinos olhos
e minha vaidade
com tão cruel coroa de espinhos».

Santa Teresa de Jesus | 1515 – 1582
Exclamações III,2

   

   A loucura de um amor perseverante!

«Senhor,
disponde sempre de mim,
como melhor Vos parecer,
que contudo ficarei contente,
em seguir-Vos pelo caminho do Calvário.
Quantos mais espinhos encontre no caminho
e se me faça a cruz mais pesada,
mais me sentirei abençoada,
já que o que desejo é amar-Vos
com um amor denso e sem divisão,
e o que é mais importante,
com um amor perseverante.»

Santa Teresa Margarida de Redi | 1747 – 1770
Exercícios Espirituais de 1768

   

   Cinzas

«A alma que se entregou a Deus
deve dar-se inteiramente,
pois o amor não reserva nada para si;
consome tudo,
para que dessas cinzas
se levante uma só Pessoa: Cristo.
A criatura consumiu-se na divindade.
Já não tem vontade própria,
[mas a de Deus]. […]
Mas que importa
se Deus está com ela?»

Santa Teresa dos Andes | 1900 - 1920
Carta 65. A uma amiga