«Quanto às coisas da alma, a melhor segurança
é não se apegar a nada, nem ter apetite de nada.
Seja muito sincera e verdadeira com quem a orienta,
porque, caso contrário, seria não querer um guia […].
A alma não se deixe atar, porque, se permanecer na oração,
Deus cuidará das suas coisas, uma vez que não pertencem,
nem hão de pertencer, a outro dono.
É o que vejo em mim: quanto mais me agarro às coisas,
mais tenho posto nelas a alma, o coração e o cuidado,
pois a coisa amada torna-se uma só com quem a ama».

São João da Cruz | 1542-1591
Carta 11

Senhor,

Ensina-me a libertar o meu coração das amarras do mundo.
Que eu não me prenda ao que passa,
mas deseje apenas o que vem de Ti.

Dá-me a graça de me desapegar dos bens,
dos aplausos e das vaidades.
Faz-me pobre de espírito,
livre para Te amar sem reservas.

Recorda-me que tudo é dom
e que tudo procede de Ti.
Desprende-me de mim mesmo,
dos meus medos e das minhas vontades.

Que eu encontre a verdadeira riqueza em cumprir os teus desígnios.
Ensina-me a caminhar com leveza e os olhos postos no Céu.

Em cada renúncia, que floresça em mim a alegria da entrega;
E que, despojado de tudo, eu Te possua como o meu tudo.

Ámen.