«Na terra, eu sei, tudo fenece,
se desfaz como nuvem de fumo a fugir,
folhagem das árvores no outono a cair,
fogo que o vento acende e apaga,
tudo passa num sopro de vida,
que a ilusão triste deixou magoada e ferida.
Só Tu és a vida».

Venerável Irmã Maria Lúcia de Jesus ! 1907-2005
O Meu Caminho, IV

No burburinho do riacho que assobia,
na roda dum moinho de vento,
num desfiladeiro onde pedras rolam e caem,
tudo é movimento.

Mas que ternura ver o tempo passar,
em Ti posso descansar na mais suave eternidade.
As contrariedades, os espinhos na carne,
as infelicidades do luto, o aperto da fome,
a ansiedade da pobreza, o sufoco duma identidade ferida,
as incompreensões, os desgostos,
as traições, a metralhadora, a dor dum desmembramento.

Que me resta, meu bom Pai, senão inclinar o meu rosto
diante da luz da tua face. São as dores do tempo presente,
mas em Ti está prometida uma alegria futura e infinita.
Senhor, em Ti confio!