«Que lágrimas tão descabidas são essas que derrama nestes dias?
Quanto tempo útil julga que perdeu com esses escrúpulos?
Se deseja contar-me as suas aflições,
vá junto daquele espelho sem mancha (Sb 7, 26) do Eterno Pai,
que é o Seu Filho,
onde todos os dias vejo a sua alma;
sem dúvida que de lá sairá consolada
e sem precisar de andar a mendigar às portas de gente pobre.»

S. João da Cruz | 1542 – 1591
Carta 4

Senhor,
Por que choro como quem não Te conhece?
Por que me perco em sombras que Tu venceste?
Quantas horas derramadas em vãos escrúpulos,
Quando em Ti há uma paz que não tarda nem falha.

Mostra-me, ó Cristo, o Teu rosto santo,
Espelho sem mancha do Eterno Pai.
Liberta o meu corpo das seduções do mundo,
Purifica a minha alma com a Tua verdade.

Livra-me de mendigar consolações rasas,
Quando em Ti está a fonte que nunca seca.
Ensina-me a repousar na Tua certeza
E não nas glórias frágeis do mundo vão.

Em Ti encontro o olhar que me restaura,
A palavra que cessa as minhas inquietações.
Faz do Teu consolo a minha morada,
E do Teu silêncio, a minha oração.

Ámen.