«Já sendo chegado o tempo
Em que de nascer havia,
Assim como desposado
Do seu tálamo descia,
Abraçado à sua esposa,
Que em seus braços a trazia;
O qual a Mãe graciosa
Em um presépio estendia,
No meio de uns animais
Que na altura ali havia».

São João da Cruz | 1542-1591
Romance sobre o Evangelho “In principio erat Verbum”
acerca da Santíssima Trindade, 9

Ó Verbo, nascido de Maria,
suscitaste no coração do carmelita uma vocação.
Esta nova estirpe há de viver dum olhar
centrado na tua humanidade.

Ninguém como Maria viveu isto em tão grande união.
Ao acreditarmos que nasceste daquele ventre bendito,
não podemos pensar que a Luz que nele se deu,
se findou após o teu Nascimento.
Não foi ele o teu ventre materno que te deu carne, sangue e forma?

Quando Te comungo na Eucaristia, qual nova Encarnação,
sei que sou acolhido por Ti no Coração de Maria.
Tu moras em Maria, e Maria vendo-Te em cada um de nós,
não pode negar o seu desejo de nos receber em si,
isto é, de te receber a Ti
em que se recorda das ternas palavras da Anunciação.

O carmelita é chamado a ter o seu coração tão grande e tão livre
como o de Maria, para poder receber em si a Ti,
que estás presente em todos.
O carmelita viverá em e como Maria indicando
a todos o caminho “para a morada da luz” e da paz.