«Já voltámos esta manhã de colher o nosso grão-de-bico,
porque isso faz-se pelas manhãs,
e noutro dia faremos a debulha.
É mais bonito e melhor manusear estas criaturas mudas
do que ser manuseados pelas vivas».

São João da Cruz | 1542-1591
Carta 28

Senhor,

Damos-Te graças pelo grão que colhemos
com as mãos ainda frescas durante a manhã.
Ensina-nos a reconhecer a tua presença
no labor humilde e silencioso,
pois é nos gestos simples que escondes os teus mistérios.

Como o grão que aguarda a debulha,
também nós esperamos o tempo certo da tua colheita,
em que o trabalho dará fruto e o esforço fará sentido.

Guarda-nos, ó Pai,
de sermos levados pelas vozes do mundo
e recorda-nos sempre a tua generosidade.
Que saibamos aprender com as criaturas mudas
a quietude que nos leva ao Céu,
e que o nosso trabalho, por mais pequeno que seja,
se deixe semear pela tua bondade.

Ámen.